
Barriga para dentro, peito para fora! Este bem podia ser o mote de Cepeda, um dos jogadores mais emblemáticos do final dos anos 70 no futebol português: nos cromos, aparecia sempre a fazer peito, à culturista, a dar a ideia do extremo de força que realmente era. No Barreirense, no Estoril e por fim no Belenenses, onde fechou a carreira na I Divisão aos 32 anos, Cepeda foi sempre um extremo rectílineo. Mas a sua carreira tem histórias para contar, ou não tivesse ele começado na I Divisão pela mão de Manuel de Oliveira e depois sido um jogador fetiche de António Medeiros.
Nascido no Estoril a 21 de Outubro de 1949 e formado no Dramático de Cascais, que competia no regional de Lisboa, João Miguel Guedes Cepeda destacou-se, a ponto de merecer a atenção de um clube da I Divisão. Aos 19 anos assinou pelo Barreirense, que era treinado por Manuel de Oliveira. E foi ali que se lançou, a 14 de Setembro de 1969, entrando para o lugar de Mira nos últimos cinco minutos de um dérbi intenso com a CUF, no D. Manuel de Melo. Cepeda entrou com 3-3, mas mesmo no final o Barreirense ainda sofreu um golo, de penalti, o que levou a que se tivesse estreado com uma derrota. Pouco mais de um mês depois, a 26 de Outubro, começou pela primeira vez a titular. O jogo era outra vez em casa, o adversário o V. Setúbal, e Cepeda assinalou a ocasião com um golo: o 2-0 final, aos 81’. A época até podia ter-lhe corrido melhor, não fosse uma lesão grave, a meio de Fevereiro, em partida da Taça de Portugal contra o Leixões. Não jogou mais e acabou por sair para o Estoril, que disputava a III Divisão.
No Estoril cresceu como jogador. Esteve na subida à II Divisão, em 1973/74, e depois na súbita promoção à I Divisão, em 1974/75. No final do Verão de 1975, Cepeda estava de volta à mais importante prova do futebol nacional e, logo na época de regresso, fez golos emblemáticos. Colocou o Estoril a vencer o Sporting em Alvalade, num jogo que os leões ainda viraram, e fez nas Antas o golo do empate (2-2) final com o FC Porto. Pelo Estoril fez três épocas na I Divisão. Na última, voltou a marcar ao Sporting, desta vez na Amoreira, mas com o mesmo resultado final (1-2). E foi ao Benfica – o grande que lhe faltava – que a 21 de Maio de 1978 marcou o último golo vestido de amarelo, garantindo o empate a duas bolas.
Esta época, porém, ficou na história graças ao episódio do chuveiro. Na primeira volta, em Outubro, a equipa do Belenenses – onde figuravam vários ex-estorilistas – foi ganhar à Amoreira e, no final, alegando que os balneários eram demasiado pequenos, saiu direta para o autocarro, tendo os jogadores ido tomar banho ao Restelo. No jogo de retribuição, em Março, os estorilistas vingaram-se: aqueceram na Ajuda, entraram diretamente para o relvado, sem passar nos balneários do Restelo, e Cepeda foi entregar a António Medeiros – seu ex-treinador no Estoril, que agora comandava o Belenenses – um chuveiro.
Nada que prejudicasse as relações entre os dois, pois no Verão seguinte Cepeda estava a assinar pelo Belenenses, onde Medeiros o recebeu de braços abertos. E não se arrependeu, pois Cepeda fez uma primeira época extraordinária no Belenenses: dez golos, três deles nas primeiras três jornadas, ao Beira Mar, ao Académico de Viseu e ao Barreirense, onde estava outra vez Manuel de Oliveira. A época deu para tudo, até para voltar a marcar ao Sporting (e desta vez com prémio de um empate final) e para fazer um golo ao seu Estoril. Mas foi aqui que começou o ocaso. Aos 30 anos, Cepeda começou a fazer menos golos – apenas dois, em todo o campeonato de 1979/80 e três em 1980/81. Passou quatro épocas no Belenenses, a última das quais a da descida de divisão, em 1981/82, onde já foi pouco utilizado. Nessa época, a sua ação mais assinalável foi logo na primeira jornada, na sequência do sururu que se gerou, a 5’ do fim do jogo em Alvalade, quando o árbitro assinalou o penalti que permitiu ao Sporting empatar o jogo: de uma assentada, Mário Luís expulsou o sportinguista Manuel Fernandes e os belenenses Padrão, Alhinho e Pinto da Rocha. Cepeda estava no banco, não gostou e fez peito ao árbitro, que o expulsou também. Foi apenas fiel à máxima que o regia: barriga para dentro, peito para fora!
CEPEDA NA I DIVISÃO
1969/70 Barreirense 5/1
1975/76 Estoril 25/5
1976/77 Estoril 26/2
1977/78 Estoril 27/5
1978/79 Belenenses 29/10
1979/80 Belenenses 22/2
1980/81 Belenenses 23/3
1981/82 Belenenses 4/0
TOTAL: 161 jogos e 28 golos
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