CC Magazine: (5) - Manuel José
 

(5) - Manuel José






Um dos treinadores mais titulados do Mundo, com várias proezas no futebol africano, Manuel José foi um jogador de craveira média em Portugal e cedo optou pela carreira no banco. Tinha 32 anos quando, empurrado pela descida de divisão do Sp. Espinho, que representava a meio-campo, assumiu a equipa e conseguiu o regresso ao primeiro escalão. Corria o ano de 1978 e acabava aí uma fase da vida deste algarvio de Vila Real de Santo António, que passou os 250 desafios na I Divisão como futebolista, um dos quais lhe valeu o título de campeão nacional, pelo Benfica, em 1969.

Depois de jogar nos juniores do Benfica, Manuel José de Jesus Silva passou uma temporada nas reservas dos encarnados, mas não foi chamado à equipa principal uma única vez por Elek Schwartz. O melhor era ser emprestado, o que aconteceu em 1965, quando rumou à Covilhã, para jogar na II Divisão. Um ano depois, novo empréstimo, mas desta vez já a um clube do escalão principal: o Varzim. Manuel José estreou-se a 2 de Novembro de 1966, em casa, e logo contra o Benfica, que ganhara nas duas primeiras jornadas. Mas na Póvoa, o resultado não saiu de um 0-0. José Valle terá gostado da atuação do jovem algarvio, que meses antes, no dia 9 de Abril, tinha completado 20 anos, e não mais o tirou do onze. O primeiro – e único – golo dessa época, o miúdo marcou-o a Carvalho, guarda-redes internacional do Sporting, num remate de longe que inaugurou o marcador do que veio a ser um empate a duas bolas.

O Varzim conseguiu um muito razoável 10º lugar e Manuel José seguiu para mais perto de casa, sendo agora emprestado ao Belenenses. Num plantel mais forte, não foi tão regular, mas fez ainda assim três golos – dois ao Barreirense e um ao Varzim, no Restelo. Otto Glória optou então pelo regresso do jogador ao Benfica, mas nunca lhe deu verdadeiramente uma chance. Numa equipa fortíssima, onde se juntavam os Magriços a uma nova geração de craques, Manuel José jogou apenas 19 minutos. Foi a 1 de Dezembro que entrou, aos 71’, para o lugar de Simões num Benfica-Académica que os encarnados perdiam por 2-1. Dois golos de Praia valeram a reviravolta, mas nem por ter feito parte dessa história Manuel José voltou a ser chamado ao relvado. No final da época fez as contas, festejou o título de campeão nacional e foi à vida.

A verdadeira carreira de Manuel José começa então. Passou a vestir a camisola rubro-negra do U. Tomar, onde Oscar Tellechea fez dele uma das figuras do meio-campo. Mas, apesar de o seu único golo em toda a época – ao Belenenses, na penúltima jornada – ter valido uma vitória por 2-1, a equipa nabantina desceu mesmo de divisão. Fernando Cabrita continuou a apostar nele e, após um ano de interregno, o U. Tomar regressou ao convívio dos grandes. Manuel José foi titular em todas as partidas de 1971/72 (com Cabrita) e 1972/73 (com António Medeiros e, depois, Enrique Vega), o que lhe valeu a atenção do Farense quando o U. Tomar desceu de divisão. Mais perto das origens, foi sendo figura a meio-campo no arranque interessante da época em 1973 (cinco jornadas de invencibilidade, incluindo empates com FC Porto e Benfica) e depois em 1974, quando o Farense contratou Mário Lino, treinador que acabava de ser campeão nacional no Sporting. A 3 de Novembro de 1974 conseguiu o único bis da sua carreira na I Divisão, contribuindo com dois golos para uma vitória por 3-1 sobre o Belenenses, mas um mês depois lesionou-se em Guimarães, o que o levou a ficar quase dois meses fora das opções do técnico. Mesmo assim, como batia as bolas paradas, esta foi a sua época mais goleadora na I Divisão, com cinco tentos, três dos quais de penalti e um de livre direto.

Em 1975/76, o Farense viveu um ano horrível, com várias mudanças de treinador e a descida de divisão. Manuel José, porém, foi titular com todos os técnicos. E voltou a marcar ao Benfica, batendo José Henrique da marca dos onze metros numa derrota dos algarvios por 4-1. Não sendo uma estrela, este médio já experiente era jogador de I Divisão. Daí que, quando o Farense caiu na segunda, ele tenha mudado de camisola. Seguiu para o Beira Mar, onde o chamava Manuel de Oliveira, que já o treinara no Belenenses e no final de época anterior, quando tentou salvar o Farense. E a partir do Natal, uma surpresa: à equipa aveirense chegava Eusébio, que Manuel José conhecia do Benfica (mas que só ganhou um dos doze jogos que ali fez, ao Leixões). Esta foi uma época diferente para Manuel José: após a derrota no Montijo, a 6 de Fevereiro, Manuel de Oliveira foi despedido e, até à chegada de um novo treinador (que haveria de ser Joaquim Meirim), o comando da equipa foi confiado ao guarda-redes Domingos e a Manuel José, na qualidade de treinadores-jogadores. O saldo da experiência não foi positivo – duas derrotas, em casa com o FC Porto (0-3) e na Tapadinha com o Atlético (1-4) – mas no final nem Meirim conseguiu salvar o Beira Mar.

Após a segunda despromoção consecutiva, Manuel José voltou a mudar de cores: assinou pelo Sp. Espinho, onde haveria de acabar a carreira de jogador com nova descida de divisão e começar a de treinador logo com uma promoção. Estava encontrada a sua maior vocação: era no banco que podia servir melhor as suas equipas.


MANUEL JOSÉ NA I DIVISÃO

1966/67 Varzim 21/1
1967/68 Belenenses 14/3
1968/69 Benfica 1/0
1969/70 U. Tomar 22/1
1971/72 U. Tomar 30/3
1972/73 U. Tomar 30/2
1973/74 Farense 28/2
1974/75 Farense 24/5
1975/76 Farense 30/2
1976/77 Beira Mar 28/1
1977/78 Sp. Espinho 27/2

TOTAL: 255 jogos e 22 golos




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